O projeto "Sultaque - Identidade Cultural - Sotaque Curitibano" é composto pela produção de um vídeo documentário que contém depoimentos de personagens e dos pesquisadores que atuaram no projeto, além de galeria de fotos e algumas imagens dos bastidores das gravações, e também a edição e publicação de um Encarte/Livro que contém a íntegra dos depoimentos e das pesquisas realizadas nas áreas de história, antropologia e sociolinguística, e da pesquisa de campo; fotografias de acervo histórico e imagens cedidas pelos participantes.

 

Os textos a seguir foram  publicados originalmente no livro "Sultaque - Identidade Cultural - Sotaque Curitibano"

Todos os direitos reservados. Autorizada a cópia de parte ou totalidade da obra desde que citada a fonte.

 

Sultaque - Identidade Cultural - Sotaque Curitibano

Zilá Maria walenga Santos

 

Resumo


               O projeto “Sultaque” nasceu a partir da constatação de que já estamos praticamente na 5ª geração de descendentes de imigrantes europeus que vieram para o Brasil na segunda metade do século 19, e que seria relevante, nesse momento, promovermos na memória da história curitibana o registro de fatos contados pelos descendentes sobre a história desses imigrantes - assim como de sua própria história também - que corroborem na compreensão dos paradigmas pré-existentes sobre as origens do sotaque curitibano, ou que tragam à luz novas informações que justifiquem novos conceitos sobre a matéria.

                 Com esse pensamento, idealizamos um conjunto de ações que resultaram num registro documental e audiovisual, embasadas no desenvolvimento de pesquisas nas áreas de história, antropologia, sociolinguística, documentais e de campo; essa última compreendida em entrevistas narrativas de caráter empírico junto aos membros das comunidades étnicas, historicamente contextualizadas ao tema, e, correlatamente, verificando se a cultura tradicional dos imigrantes vêm sendo preservada pelos seus descendentes. Nosso objetivo é contribuir para a preservação, conservação e difusão desse patrimônio imaterial da cultura curitibana, que é o nosso sotaque, que se firma no processo histórico da miscigenação de culturas entre os habitantes que povoaram Curitiba e região anteriormente ao período imigratório (em sua maioria espanhóis, negros africanos, índios, portugueses, paulistas, tropeiros), e os colonizadores europeus subsequentes.

 

 

 

Abstract

 

 

                       The project ‘’Sultaque*’’was born from the realization that we are practically in the 5th generation of european-descendant immigrants, that came to Brazil in the second half of the 19th century, and that it would be relevant, at this moment, promote in the memory of curitiban history the registry of facts told by descendants  about the history of these immigrants - as of their own personal histories too - that may corroborate in the comprehension of pre-existing paradigms about the origins of the curitiban accent, or that may bring to light new informations that justify new concepts about the matter.

                      With this in mind, we idealized a set of actions that resulted in documental and audio-visual registries, based on the development of searches in the areas of history, anthropology, sociolinguistics, documentations of many types and field search; the last one comprehended in interviews of empirical character with the members of ethnical  communities, historically contextualized to the main theme and, correlatively, verifying if the traditional culture of the immigrants have been preserved by their descendants. Our objective is to contribute for the preservation, conservation and diffusion of the immaterial patrimony that the curitiban accent is, that firms itself in the historical process of miscegenation of cultures between the habitants that populated Curitiba and surroundings before the immigratory period (mostly africans, indians, portuguese, spanish, paulistas** and tropeiros***), and the subsequent european colonizers.

 

Key words: immigrants, culture, accent.

 

*A pun between the words Sul (south) and sotaque (accent).

** People that were born in the state of São Paulo.

***Pathfinders that were present in Brazil since its colonial era, in charge of adventuring themselves through unexplored territory. Usually remembered and exalted as founders of many cities in th e southern Brazil. 

 

 

 

 

 

O Sotaque Curitibano

 

Zilá Maria Walenga Santos

 

 

Nosso modo de ser

 

            O curitibano é, de um modo geral, considerado um ser estranho e frio devido ao seu comportamento. É considerado pacato, introspectivo, tradicional, conservador, democrático, mas extremamente reservado, não só as gerações mais antigas como também as mais jovens, que costumeiramente promovem ações para resgatar e preservar sua história, evidentemente incentivados pelos mais velhos, buscando manter sua identidade por meio dos seus costumes, mantendo viva sua história – porém, buscam avançar democraticamente aderindo aos novos costumes. Essa atitude dos jovens reforça ainda mais a visão de conservadorismo implícito em nossa educação, apesar dos avanços culturais das últimas décadas.

            Esse comportamento típico do curitibano tradicional é de certa forma fundamentado e justificado, se considerarmos as condições em que os imigrantes vieram para cá. Vindos de regiões europeias onde a guerra era um valor que vinha sendo agregado à própria identidade desses povos, foram aos poucos se estabelecendo, cada povo vivendo entre si, restritos às suas colônias, sem comunicação com os demais imigrantes das outras colônias contemporâneas, por força de sua própria história.

       Essa situação foi se modificando graças à miscigenação, que foi ocorrendo aos poucos, restando ainda algumas reservas quanto às misturas de raças pelos povos europeus. Porém, as gerações mais recentes, que têm uma outra visão sobre esse modo de ser dos mais antigos, procuram de forma tranquila incutir algumas mudanças culturais neles.

         A identidade cultural do curitibano não é tão definida como era há duas ou três décadas, quando se vislumbrava apenas a cultura trazida pelos europeus. Hoje, agregamos a cultura tradicional de outros povos que migraram para Curitiba nas últimas décadas – por exemplo, a alimentação diversificada, na qual podemos encontrar pratos típicos das diversas regiões brasileiras, além da arte, música e literatura, entre outros.

            O curitibano já adotou um jeito mais descolado de se vestir, e usa com mais displicência alguns acessórios, deixando para trás o rigor das roupas sóbrias e bem cortadas, os “taillers” femininos muito usados até os anos 1990, que combinavam suas cores com os acessórios: bolsa, calçado, cinta, lenços, óculos, entre outros, tudo tinha que combinar entre si. Paralelamente a essa mudança, a cultura se expandiu em todas as áreas. Antigamente, as referências culturais mais evidentes eram da produção artesanal e da cultura alimentícia tradicional, amplamente fomentadas e difundidas. 

Curitiba respira arte livremente e desenvolve as mais variadas atividades culturais, como teatro, dança, circo, artes plásticas, literatura, música, manifestações culturais tradicionais, entre outras gerenciadas ou não pelo poder público, com amplo acesso à população, porém, mantendo ainda como relevante ponto referencial a produção artesanal e a cultura alimentar.

         Portanto, hoje é muito difícil traçar o perfil do curitibano, porque trata-se de um povo que, pela sua história de evolução socioeconômica e cultural, agregou valores pela natureza produtiva de um grande polo comercial e industrial da cidade. De certa forma, este fato funciona como um certificado de seguro para cada cidadão investir em ações que refletirão no seu desenvolvimento sociocultural.

            É muito comum, além dos comentários sobre nossa personalidade, ouvirmos críticas que somos atípicos no que diz respeito à cultura popular, mais especificamente quanto ao carnaval. Não somos atípicos, temos carnaval sim, do nosso jeito, e o curitibano gosta muito. Nossas festas juninas ou julinas são muito concorridas e o nosso forte é o quentão com pinhão, milho cozido e batata-doce, além dos docinhos feitos com amendoim. Gostamos também de curtir o Largo da Ordem e o centro da cidade. Passear pela Rua XV de Novembro para dar uma espiadinha na Boca Maldita, que de maldita só tem mesmo a língua ferina dos seus frequentadores, que não têm dó dos políticos. É algo prazeroso, onde com certeza encontraremos amigos novos e velhos, uma boa oportunidade de bater papo – aliás, esse ainda é um termo muito usado por aqui – e descontrair, ora tomando um cafezinho, ora observando os artistas que por ali estão mostrando seus trabalhos.

       O curitibano se orgulha também do seu acervo histórico, documental e artístico, conservado e preservado por instituições governamentais que também promovem ações educativas visando difundir o conhecimento sobre o patrimônio cultural, incluindo-se nesse contexto a preservação dos prédios e casarões antigos, considerados unidades de interesse de preservação para perpetuar nossa história.

            Recentemente, por meio do intercâmbio cultural realizado entre instituições brasileiras, foram promovidos diversos seminários voltados a discussões sobre patrimônio histórico, com o objetivo de trocar experiências quanto às ações desenvolvidas sobre o tema. Curitiba tem sido palco desses encontros e fomos agraciados com a vinda de especialistas na área, cuja troca de informações foi fundamental para o estabelecimento de parcerias visando a conservação desse patrimônio.

          Apesar do nosso clima, nossas casas, de um modo geral, não possuem lareiras. Algumas até têm, mas não são usadas, servem apenas para decoração e para curtirmos nosso frio, fazemos o jantar bem rapidinho para irmos todos para o sofá, embrulhados em cobertores para assistir televisão em família. Esse é o nosso jeito. Os sobretudos acabam ficando no armário mesmo, é uma maneira de desafiarmos nossos pés, que na verdade congelam e ficam muito úmidos.

Somos chamados de “nativos” que reclamam contra o calor. Realmente, em excesso, ele nos incomoda mesmo. Mas, por outro lado, sentimos até compaixão ao ver um turista desavisado sair de manhã do hotel usando apenas sandálias porque o sol está arrebentando dizendo ‘’nossa, está mais quente que na Bahia”, e aí por volta das dez horas da manhã começa a gelar e vem a garoa, que aos poucos se transforma num pesadelo para quem está desprovido de uma sombrinha ou um par de botas.

            O turista é obrigado a voltar ao hotel para agasalhar-se, já com algum exagero porque havia sido avisado das loucuras do clima. Ao meio-dia o sol ferve e ele devidamente agasalhado enfrenta o maior calorão porque tudo mudou, mas depois as nuvens voltam para mais tarde cair um toró.

É nesse ponto que ele não se aguenta e vem conversar com a gente dizendo: “caramba, como é que vocês aguentam isso, é pleno inverno e faz um calorão desses, para daqui a pouco a gente congelar no frio” – é a nossa deixa e então respondemos: “olha, você não viu nada ainda...”, ou então “isso aqui não é frio não, frio era há 30, 40 anos, até nevou aqui em 1975”, e (disfarçadamente) achamos muita graça nisso.

Realmente ficamos eufóricos e orgulhosos com o fato do nosso frio ser matéria nacional. É a identidade climática de nossa cidade, um singelo planalto, cortado por dezenas de rios, responsáveis pela umidade permanente em nossos pés, independente do sol repentino que surge em meio às nuvenzinhas teimosas, para dali a pouco, sumir de novo.

            Nossa identidade cultural, vai muito além do nosso linguajar, que é claramente percebido quando falamos “Café com   Leite Quente e do Azeite”. Dificilmente um curitibano vai usar o “i” no lugar do “e”, a não ser que sua convivência em outros lugares lhe tire essa pronúncia carregada em cima do “e”, porque isso é o resultado de todo um processo de herança étnica de nossos antepassados, que influenciaram nossa pronúncia, a qual se tornou um traço forte de nossa personalidade.

         Falamos coisas do mesmo jeito que nossos pais, avós e tataravós falavam, meio truncado, meio bugre, meio arrastado. Temos definições para coisas que são incompreensíveis em outras cidades brasileiras, como a “vina” no lugar de “salsicha”, “arraia, ou raia” no lugar de “pipa”, “inhame” em vez de “taiá”, “piá e guri” em vez de “menino”, “agasalho de moleton” no lugar de “training ou abrigo”, entre outras coisas.

          Cada região tem seu sotaque próprio, aliás, mais do que um sotaque, são as mais legítimas formas de um povo se expressar por meio da fala e dos seus costumes, são culturas representativas e diferenciadas, incutidas de características muito próprias. Não existe o “falar errado”, existe sobretudo a cultura daquele povo.

        Quantas vezes tentamos reproduzir sotaques ou o linguajar de outras regiões, principalmente do baiano ou do cearense, e não conseguimos, porque não soa bem, não conseguimos sequer nos assemelhar, porque é algo atípico para nós? Imagino que eles também não conseguem nos imitar.

            As expressões de cada região brasileira são relíquias culturais e sabemos que em cada uma existe uma história, uma raiz, uma semente que foi gerada em algum momento da sua trajetória histórica, sendo típica daquele povo. Podemos absorver os grafismos e palavreados, mas não a sua essência. Assim também é o nosso sotaque, com certeza um sotaque de colonos, carregado, pisando em cima dos “ês” porque foi essa nossa herança.

 

A síntese da aculturação

Zilá Maria Walenga Santos

 

          Curitiba teve uma imigração repentina e intensa a partir da segunda metade do século 19. As diferenças de linguajares, além dos costumes, dificultaram muito a comunicação dos primeiros imigrantes, tanto entre eles como em relação aos habitantes que povoavam Curitiba naquela época. Essa dificuldade existiu por muito tempo, e a necessidade de comunicação era fator de relevada importância.

              Diante desse choque cultural, houve um processo de aculturação na cidade devido à forte influência europeia. As famílias que aqui chegaram continuavam falando suas línguas de origem. Porém, para o aprendizado da língua portuguesa, eles se apegaram muito ao fonema real das palavras, o que é a provável razão da existência do nosso sotaque.

Por entendermos que esse mesmo sotaque que herdamos – bem cultural valiosíssimo para nós curitibanos – possa ter sofrido mudanças em relação às gerações mais recentes devido às influências dos hábitos, do idioma e dos novos costumes agregados e/ou apropriados na atualidade, nos imbuímos no propósito de investigar essas questões na atualidade, aglutinando novas informações às já existentes nos registros concernentes ao legado da memória e preservação da história de Curitiba.

             A opção por fazer esses registros junto a membros de comunidades étnicas deu-se pelo valor empírico da cultura inerente a cada etnia, pois delas herdamos o “som” de nossa pronúncia. Sendo assim, o melhor caminho para buscarmos “impressões e constatações” sobre possíveis mudanças em nosso sotaque nas gerações mais recentes seria ir a essas comunidades tradicionais e também às novas, pois nas últimas décadas Curitiba vem abrigando emigrantes de várias regiões brasileiras, “os novos curitibanos”, que, naturalmente, provocam o surgimento de novas miscigenações de culturas e influenciam nossos hábitos e costumes tradicionais, e que também, por sua vez, estão se adaptando ao nosso jeito de ser e ao nosso sotaque.

        Amparados em estudos já realizados sobre questões da identidade cultural dos curitibanos, que se agrega de imaginários de várias identidades culturais dentro de uma mesma filosofia empírica, buscamos identificar os elementos que justificassem o paradigma preexistente sobre a origem do nosso sotaque.

            Fundamentamos nossa proposta com base no pluriculturalismo existente no processo de formação da população da capital paranaense, que até o século 19 era habitada pelos índios, negros, paulistas, tropeiros, portugueses e espanhóis. Depois, vieram os povoadores e, por último, a partir de 1853, os colonizadores em intensa imigração europeia, que provocou uma síntese cultural entre os habitantes e ao modo de ser da própria cidade.

           Essa imigração promoveu um novo ritmo de crescimento em Curitiba, influenciou os hábitos e a cultura local. A cidade se tornou uma importante região agrícola. Hoje, a maior parte da população de Curitiba, cerca de 1,9 milhões de habitantes, descende desses imigrantes e possui personalidade própria, fato citado pela historiadora professora Oksana Boruszenko em seu artigo sobre imigração em Curitiba:

 

“...Curitiba é uma cidade com personalidade própria, porém de influência europeia. Tanto que pelo frio tão europeu, às vezes chega a nevar. Porém, os europeus, tão diferentes entre si – e diferente dos povos de outros continentes –, acabaram incorporando hábitos e costumes dos curitibanos de outros tempos. Hoje, nem seriam reconhecidos em seus países de origem. Ligaram-se a Curitiba, que já foi um arraial de mineradores na Vilinha do Atuba; uma encruzilhada por onde passaram os tropeiros levando gado para Sorocaba; um amontoado de engenhos de erva-mate, graças ao qual conseguimos ser província independente e tornar a cidade capital.” ¹

¹ , ²

Editora “O Estado do Paraná”, 27/07/1990, Imigração Curitiba e Região Metropolitana, Oksana Boruszenko.

 

      A miscigenação dos diversos linguajares exerceu forte influência no português brasileiro falado até então, que ocasionou uma pronúncia diferente, não apenas no sotaque, mas também no uso de algumas expressões que são peculiares aos grupos imigratórios.

          Os imigrantes têm um lugar marcante na história da evolução humana de Curitiba, um processo que foi para além da lavoura – um dos principais motivos de vinda colonos europeus para o Brasil, principalmente para o sul do país –, pois trouxeram suas ferramentas e, acima de tudo, seus ofícios praticados em seus países de origem. Trouxeram também seu artesanato, sua comida típica, suas músicas e danças, suas festas e sua religiosidade tão bem lembrados ainda no artigo sobre imigração em Curitiba da historiadora e professora Oksana Boruszenko:

“...Era notória a preponderância dos imigrantes ou seus descendentes em certos ramos comerciais e industriais de Curitiba. No início do século 20, todas as três fábricas de bebidas e gasosas e de brinquedos, as duas casas de artefatos de couro, as duas fábricas de cola, as cinco fundições, as duas fábricas de meias, as duas casas de instrumentos musicais, a única casa de carimbos de borracha, as únicas fábricas de tecidos, de fósforos, de pianos e a única tinturaria pertenciam a imigrantes”.²

 

      Porém, trouxeram também um linguajar que ninguém compreendia. Esse fato foi, sem dúvida alguma, a maior dificuldade encontrada pelos imigrantes ao chegarem, o que se prolongou por um longo período por terem muita dificuldade para se comunicar e se fazerem entender, e também entender os brasileiros. Dessa forma, não conseguiam se comunicar, o que causou muitos conflitos socioculturais.

       Da mesma forma, herdamos cultura das nações africanas e indígenas presentes no território paranaense, como nossos costumes, as artes, a comida, mas principalmente, o vocabulário. Referenciamos aqui a declaração de Gilberto Freyre em sua obra Casa-Grande & Senzala¹: “...todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, e quando não na alma é no corpo, a sombra ou pelo menos a pinta do indígena ou do negro”. Ela fundamentou e norteou os conceitos consoantes à preexistência de uma identidade cultural do povo curitibano anterior ao processo imigratório europeu, e também pela declaração da Unesco que define como “Patrimônio Cultural Imaterial... as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas e também os instrumentos, objetos, artefatos e lugares que lhes são associados, e as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos que se reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.   O Patrimônio Imaterial é transmitido de geração a geração, e constantemente é recriado pelas comunidades e grupos em função do seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana”².

 

¹Casa Grande & Senzala, Freyre, Gilberto. Casa-Grande e senzala. Rio de Janeiro: Record, 1992, p. 307.)

² Parágrafos extraídos do site do IPHAN

 

            Sobre a presença de índios e negros no Paraná, vale ressaltar as informações de Wagner de Cerqueira e Francisco, no livro “Etnias e População do Paraná”3:

 

“Índios – Foram os primeiros habitantes, existiam diversas tribos distintas no território paranaense, entre elas estão os Carijó e Tupiniquim, que habitavam a faixa litorânea; os Tingui, que se instalaram na região onde hoje corresponde a Curitiba; os Caingangues e Botocudo, que habitavam o interior do Paraná.

 

“Negros - A migração forçada de negros durante o período da escravidão no Brasil também contribuiu para a composição étnica da população paranaense. Atualmente, cerca de 24,5% da população do estado é negra. Esse fato torna o Paraná o estado com a maior população negra da região Sul do país. O legado cultural dos negros para o estado é enorme. Traços de sua cultura podem ser encontrados nas festas tradicionais, músicas, culinária etc. Na capital, a Praça Zumbi dos Palmares, no bairro Pinheirinho, foi construída em homenagem ao ícone da resistência à escravidão. O estado possui também cerca de 90 Quilombos, comunidades formadas por descendentes de escravos que até hoje carregam consigo uma identidade cultural muito forte.”

FRANCISCO, Wagner de Cerqueria e. "Etnias e população do Paraná"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/brasil/etnias-populacao-parana.htm>.

 

Projeto aprovado pelo Programa de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná

 

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