Nesse site são apresentados trechos do depoimento individual de personagens, que não foram contemplados no DVD e/ou no documentário, parte integrante do PROJETO "SULTAQUE - IDENTIDADE CULTURAL - SOTAQUE CURITIBANO"

 

 

JOÃO VITOR FONTANELLI SANTOS

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O texto a seguir foi  publicado originalmente no livro "Sultaque - Identidade Cultural - Sotaque Curitibano"

Todos os direitos reservados. Autorizada a cópia de parte ou totalidade da obra desde que citada a fonte.

 

Zilá Maria Walenga Santos

 

 

 

JOÃO VITOR FONTANELLI SANTOS

Etnia: Brasileiro

 

 

            João Vitor Fontanelli Santos nasceu em Curitiba. É antropólogo de formação e professor de História e Geografia na Escola Estadual Emília Jerá Poty, na Aldeia Tupã Nhé’é Kretã, localizada em Morretes, na divisa com São José dos Pinhais, ambas cidades paranaenses – atualmente, a escola tem 18 alunos de diferentes idades das etnias Mbyá-Guarani, Kaingang e Kaiowá, todos cursando os ensinos fundamental e médio.

            Na aldeia, João Vitor leciona no ensino fundamental e explica que o aprendizado das línguas guarani e kaigang e do português transcorre de uma maneira muito singular pela história de cada aluno. O ensino se faz por meio da leitura e da escrita e a carga horária é distribuída entre essas disciplinas.

            Os professores não são indígenas e ensinam através da língua portuguesa, pois há interesse dos indígenas em aprender – mas não há interferência na cultura e na língua mãe dos alunos. A língua Guarani é falada e estimulada em casa, e também pelos professores, independente de outros conhecimentos que venham a ser acrescentados. O aprendizado da língua guarani na forma escrita se faz necessário, pois as crianças aprendem oralmente na família e na comunidade.

            Os professores da Aldeia Tupã também agregam o conhecimento da língua e da cultura guarani e kaingang, e ainda acabam aprendendo muito no dia a dia ao ouvir as conversas dos alunos e dos pais. Eles trabalham com materiais didáticos que são interculturais, no sentido de respeitar e de trazer outras palavras da cultura indígena.

Línguas kaingang e guarani

                        A Aldeia Tupã Nhe’e´Kretã, tem majoritariamente membros das tribos Kaigang e Mbyá-Guarani. São etnias de troncos linguísticos e famílias linguísticas bastante diversas – a Kaigang é do tronco Gê e a Guarani do Tupi-Guarani, línguas muito distintas. Em decorrência da partilha do processo de colonização e das políticas de civilização e catequese, membros dessas comunidades indígenas se uniram e passaram a viver em aldeamentos; antes viviam separados e em regiões diferentes.

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Aldeia Tupã Nhé’é Kretã

            Os Guaranis e os povos de língua Tupi-Guarani habitaram mais o litoral, e os Kaingang os planaltos. A Aldeia Tupã está localizada numa região de divisa entre a Mata Atlântica e a região de Planalto no Paraná. Essa proximidade favoreceu a influência da língua indígena no vocabulário brasileiro, como pode ser observado na denominação de algumas frutas e vegetais e até mesmo de animais – maracujá, butiá, jabuti, capivara –, e também no nome de algumas cidades do Paraná – Goioerê, Candói, Xambrê, entre outros.

            A língua guarani foi muito mais preponderante que a língua Gê no desenvolvimento do Brasil pelo processo do contato ter se dado pela costa. Nessa época, em toda a costa brasileira, dos Tupinambás do Norte aos Guaranis do Sul, se falava Tupi-Guarani, e essa foi a língua tida como de contato com quem chegou ao país. Depois, foi sistematizada uma língua geral pelos missionários, mas o Tupi-Guarani certamente foi a língua que mais se adentrou na estrutura do português falado no Brasil. 

            A presença dessa língua indígena ou resquícios dela são observados nos Topônimos, especialmente na nomenclatura ou designação de lugares que originalmente são nomes de acidentes geográficos. Dessa forma, alguns desses locais foram “batizados” pelos indígenas, como Piraquara, que significa “O Buraco do Peixe”, e Foz do Iguaçu, onde nasce o Rio Iguaçu, que significa “Água Grande”. Piraquara, Tatuquara, Uberaba e Guabirotuba são Geônimos e traços da expressão linguística Guarani, nomes de acidentes geográficos de lugares que preservaram o nome em si, ainda que muitas vezes tenham perdido seu contexto original.

            João Vitor falou também sobre a influência exercida pela cultura indígena na população urbana, como exemplo, citou a utilização da mandioca em vários pratos da culinária e no mingau, e lembrou da nossa expressão “Piá” que é uma palavra indígena para designar menino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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