Nesse site são apresentados trechos do depoimento individual de personagens, que não foram contemplados no DVD e/ou no documentário, parte integrante do PROJETO "SULTAQUE - IDENTIDADE CULTURAL - SOTAQUE CURITIBANO"

 

 

CÉLIA REGINA HASSEGAWA

O texto a seguir foi  publicado originalmente no livro "Sultaque - Identidade Cultural - Sotaque Curitibano"

Todos os direitos reservados. Autorizada a cópia de parte ou totalidade da obra desde que citada a fonte.

 

Zilá Maria Walenga Santos

 

Célia Regina Hassegawa

Descendente de poloneses

 

            Célia é descendente de 2ª geração de poloneses, filha da Dona Rosa Grochewiski Lesiniakoski, descendente de primeira geração de poloneses vindos para o Brasil ao final do século 19, o seu avô veio com 21 anos e sua avó com 18.  Vieram a convite do Imperador D.Pedro II, que os recepcionou pessoalmente no Passeio Público em Curitiba, e lá mesmo ele destinou as terras aos imigrantes conforme as atividades que cada um iria trabalhar.

            Seu avô ficou com nove alqueires de terras, o equivalente a três chácaras na Lamenha Grande e ganhou sementes e ferramentas para poder começar a trabalhar na lavoura e isso correspondeu plenamente à sua expectativa. Nesse local ele ficou morando sozinho, a princípio debaixo de um abrigo improvisado, e depois conseguiu construir uma casa feita com barro e capim reforçadas com tabuinhas. Foi nessa região que ele conheceu a sua avó que vivia numa outra colônia e se casaram.

           Assim as Colônias aos poucos foram tomando “ar” de vilas na medida em que as casas eram construídas e pequenos comércios iam se estabelecendo. Mais tarde construíram uma pequena escola onde os primeiros descendentes iam para aprender tanto a língua polonesa quanto a brasileira em períodos alternados.

            Lembrou, que sempre ouvia as histórias sobre o período em que os primeiros imigrantes chegaram, principalmente sobre as dificuldades de adaptação à língua brasileira e as diferenças de costumes. Os imigrantes sobreviviam no princípio mais pela ajuda que uns davam aos outros, basicamente pela troca de produtos entre si, até que aos poucos, foram ganhando espaço para ir vender seus produtos na região central da cidade para os brasileiros.

            Célia não aprendeu a falar a língua polonesa, pois seus pais falavam em polonês somente entre eles e os parentes, e se expressa de maneira clara e pausada, sem nenhum resquício de influência do idioma estrangeiro dos seus pais. Preserva até os dias atuais o gosto pela comida polonesa e pelas músicas e danças folclóricas.

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